Não quero trazer a memória o tempo que fomos amigos, não é necessário.
Hoje eu lembrei algumas coisas de nós dois, e enquanto eu lembrava tudo me parecia tão antigo, tão irreal, nada sólido, como se tudo não passasse de uma longa noite cheia de sonhos.
Primeira cena- no meu quarto.
Brincávamos de bater, cócegas, risos, ameaças bobas, tapas, afirmações falsas "ai ai me machucou". Lindo não?
A parada de ônibus-
Você sempre sentado e eu em pé, religiosamente. Você encostava a cabeça no meu coração e me abraçava, poucas palavras eram necessárias.
A vinda de algum lugar-
O vento era frio e rigoroso. Você precipitou-se em me colocar atrás de você, eu o abraçando voluntariamente ou não. Era bom sentir o cheiro da tua nuca, e eu podia fechar os olhos e confiar nos teus passos, que eram também os meus.
O cinema-
Sempre pagar pra assistir meio filme (risos). Não nos resistíamos, e nos entregávamos na metade do filme. Era tentador demais todo aquele escuro, ficar assistindo era simples demais, e parecia totalmente desnecessário. Bastava o primeiro, pra não conseguirmos mais parar de nos beijar, de rir com o rosto encostado e nos beijarmos ainda mais, como se fossem os últimos de nossas vidas, não haveria mais oportunidade? Pra nós parecia que não.
Isso tudo era escondido, afinal ninguém podia saber de nós dois, pra todos continuávamos sendo ótimos amigos e nada mais!
Chega de lembranças, pés no chão agora.
Sem essas cenas na minha mente, no meu peito não arde mais aquela paixão. Não sinto saudade, isso é fato.
Resta apenas a indiferença e uma pitada de desprezo.
Não tenho a mínima vontade de falar com você novamente, e você me parece exatamente como era a meses atrás, só que agora te acho infantil, muito bobo. Ridículo mesmo!
Pequeno Saumensch! Some da minha vida de vez!